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A mente Cognitiva, Manas

Será que só conseguimos acessar essa mente que sente, que faz as coisas automaticamente? Por prazer, por desejo ou impulso? Será que só é possível chegar até aí? Será que dá para explorar outras capacidades mentais? Será que estamos presos a mente dos desejos e sensações, seria essa a nossa experiência "limitativa"? (Se é que essa palavra existe).

"Pirando" com alguns estudos sobre as dimensões da mente humana sob essa perspectiva do Yoga, me deparei com uma expressão interessante ouvindo um podcast - "Reserva Cognitiva" então fui buscar sobre o assunto e entendi como muitas doenças degenerativas estão relacionadas a essa dimensão da mente que é Manas e que essa preocupação sobre nós e nossa capacidade mental vem de séculos.


O que o Yoga tem há ver com isso?

Sempre temi o envelhecimento da mente, ficar velhinha e esquecer. Perder as memórias, sentimentos, ... Ver a lucidez ir se apagando é muito triste. E busquei sobre os estudos que falam sobre isso para aprofundar o conceito que estudo no Samkhya sobre a mente, que fala sobre Manas, e que posso relacionar com a dimensão que a ciência aponta como a mente Cognitiva.

Eu tenho o Yoga na vida como uma alternativa para um envelhecimento que considero saudável. Algo que comecei a projetar aos 30 anos. Como eu queria envelhecer?

Passei a observar as pessoas que estavam envelhecendo ao meu redor. O que eu queria e o que eu não queria principalmente.

Então, estudar é uma prática das que aprendo com o Yoga.

Estudando as dimensões humanas, comparando estes estudos ao que aprendo sobre envelhecer me deparei com estudos científicos que apontam que as pessoas com maior reserva cognitiva podem evitar sintomas de alterações cerebrais degenerativas associadas à demência ou outras doenças cerebrais, como Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla ou acidente vascular cerebral.

Opa! O que a ciência tem de novo a me dizer sobre o assunto?


O que é reserva Cognitiva?

Li que trata-se de um conceito que se originou no final da década de 80 resultado de um estudo de cientistas que analisaram os cérebros de um grupo de pessoas e encontraram alterações típicas de ter sofrido da doença de Alzheimer em estágio avançado, mas não apresentaram qualquer sintoma da doença. Segundo o professor Manuel Vázquez Marrufo, do departamento de psicologia experimental da Universidade de Sevilha (Espanha), reserva cognitiva é o que se chama de "construto" em psicologia e neurociência. Ou seja, um conceito usado para tratar de uma teoria, mesmo que “não se saiba ao certo quais correlatos fisiológicos estão realmente por trás disso".

Ele explica que o cérebro possui mecanismos de plasticidade, que permitem uma compensação quando sofremos, uma lesão ou trauma. Isso se chama reserva cerebral e está mais relacionado à estrutura física individual do órgão e a sua capacidade de gerar novos neurônios.

O especialista define a reserva cognitiva como “uma espécie de propriedade” que temos – um produto das experiências da vida – e que “nos protege efetivamente contra lesões que ocorrem no cérebro”. Para a publicação de Harvard, reserva cognitiva é “a capacidade do nosso cérebro de improvisar e encontrar formas alternativas de fazer tarefas”.


“...a capacidade do nosso cérebro de improvisar e encontrar formas alternativas de fazer tarefas”

A reserva cognitiva, são os recursos neurais acumulados com o tempo na realização de atividades diárias como leitura, estudos e trabalhos que demandem altas cargas cognitivas e tem a ver com a atividade que foi desenvolvida desde o nascimento. Reserva cognitiva designa o conjunto de recursos cognitivos que uma pessoa consegue adquirir ao longo da vida, e que conferem proteção contra o envelhecimento e lesões cerebrais. Acredita-se que existam fatores externos que podem melhorar nossa reserva cognitiva e não se trata apenas de educação e trabalho, mas de estímulo às atividades recreativas da vida diária, como contato com a natureza, cantar, aprender novo idioma...A influência do meio ambiente é fundamental. Na neurociência e na psicobiologia, sabemos que os genes determinam muitos aspectos do sistema nervoso, mas o ambiente também modula essa construção. Vai depender das suas atividades, desses fatores externos que você promoveu, que vão gerar reservas em alguns elementos cognitivos, como memória e linguagem...O que está claro é que as pessoas que mantêm a mente ocupada sempre aumentarão essa reserva cognitiva e lidarão muito melhor com a deterioração durante o envelhecimento", diz o prof.Vázquez.


Manas, a dimensão da mente cognitiva

Manas é a dimensão que abrange todo o conhecimento que adquirimos durante nossa vida. Manas é a dimensão que se relaciona com os indryas (karma indryas os sentidos de ação - falar, andar, ...e jna indryas - os sentidos do conhecimento - ouvir, ver, ...).

E, a "função" principal dessa dimensão e que precisamos desenvolver para manter Manas bem, é escutar. Se não aprendo a escutar, não aprendo o que me ensinam. Se não aprendo a escutar, limito meu conhecimento as minhas próprias experiências, reflexões e percepções. Se não aprendo a escutar, não me relaciono, não troco com os que me relaciono. E, se me relaciono é apenas com o Ego e não com o mais profundo que há em mim.

E veja, me refiro ao verbo escutar, pois escutar não está relacionado apenas ao órgão do sentido da audição, mas a capacidade de escutar no sentido mais amplo da palavra. Posso escutar alguém que não diz nenhuma palavra e entender o que seus olhos e gestos dizem. Posso escutar meu corpo apontar uma angustia, uma dor, sem emitir nenhum som.

Quanto mais desenvolvo a capacidade de escutar, mais aprendo, mais desenvolvo em mim a capacidade de acessar outras dimensões da minha própria mente.

E, penso eu, sem nenhuma base científica, mas como estudante, enxergo que aprender a escutar pode desenvolver uma reserva cognitiva.


A ciência e o Yoga, a ciência do Yoga

Uma coisa tem haver com a outra coisa? Não sei, aqui são apenas elucubrações sobre o que estudo, leio e pesquiso. Eu não sei de nada, mas mantenho uma curiosidade acesa sobre essa vastidão que é a mente e o quanto de tempo eu ainda tenho para percorrer essa vastidão. Eu me divirto estudando e aprendendo!

Penso que se você leu até aqui, sua busca é é parecida, sua curiosidade também...talvez suas buscas sejam até por caminhos paralelos, quem sabe?! Mas o que eu acho mais divertido é que parece que todos nós buscamos pelas mesmas coisas, mas encontramos múltiplos caminhos para explicar a mesma coisa! E essa vastidão de ideias, pensamentos e estudos é ... inspiradora!

E o que me encanta sãos as "coincidências", estar estudando o Samkhya Karika, uma "escritura" de mais de 1.500 anos, e encontrar uma preocupação dos sábios da época em entender o que a ciência vem tentando entender há séculos também.

Será que um dia a gente vai aprender a usar essa imensidão que é a mente em sua plenitude? Essa é minha provocação aqui.


Quanto antes, melhor!

A minha resposta para essa pergunta é não sei! Mas, continuo me encantando com outras coincidências quando pesquiso esses assuntos por causa do Yoga! Por exemplo o uso dos artifícios a nosso alcance para melhorarmos nossas perspectivas de vida e que de uma certa forma e por acomodação, simplesmente não damos valor.

Tanto os cientistas como professores indicam a relação com o meio ambiente, com os outros, com a música, com as artes, para mantermos nossas mentes ativas, atentas, renovadas!

O Yoga propõem há séculos asanas, as posturas pensadas para mobilidade, força, circulação do corpo, os pranayamas para lembrarmos de respirar, pensarmos na qualidade da nossa respiração, para aprendermos a respirar. Essas atividades requerem de Manas, requerem dessa mente cognitiva sempre focada para o externo. Requerem esforço de atenção focada, escuta do professor, do próprio corpo, da respiração, requerem exercício de presença.

Outras práticas propostas são o estudo das escrituras e o canto dos sutras, mantras.


Cercado de Telas

Quanto mais estudo mais percebo que o maior propósito que temos é aprendermos a nos relacionarmos com essa vastidão que é a nossa própria individualidade, investigar nossa própria natureza e a imensidão da mente. Aprendermos a conviver com tudo o que a vida nos oferece sem pudores ou discriminações. Com escolhas mais conscientes!

Estamos cercados de telas, TV, celular, computadores, e tantos outros equipamentos que nos beneficiaram imensamente em "n" aspectos, mas será que nossa mente está preparada para esse bombardeio?

Vejo muitas pessoas saírem das suas casas para se divertirem em outras casas, se fecharem em outras quatro paredes para rezar, se exercitar, se divertir...mas caminham pelas ruas sem notar uma flor nova, ou as mudanças das estações.

Enfim, são muitas as alternativas para evitar as doenças degenerativas. Muitas delas acessíveis. Bem mais que apenas o teclado do celular!




 
 
 

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