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AS TRANSFORMAÇÕES PESSOAIS EM TEMPOS DE PANDEMIA

Com certeza você já foi pego de surpresa por uma onda no mar e levou um caldo nada confortável.


Se fizermos um paralelo, a vida não é assim também?

Passamos por momentos de calmaria e outros de ondas que vem e vão em sequências intermináveis. Com certeza daí a inspiração de Lulu Santos - “...a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinitos”.

Ultimamente vivemos dias de “mar revolto”, sem pausa para descanso. Vimos nos sentindo cansados, presos, tolhidos, limitados, ansiosos, tristes, às vezes revoltados, até mesmo perdidos. Sobrecarregados, com certeza!

Tudo em volta de nós saiu do que supúnhamos ter “controle”. A rotina de trabalho agora tem cuidados antes desnecessários, o contato com os colegas, diminuiu, o trabalho em casa, faz as rotinas se misturarem uma na outra. Enfim, com essa “doideira” toda, hora nos pegamos as lágrimas assistindo um filme da Disney, hora rindo de uma piada “velha”, hora brigando por coisa alguma. E, para muitos de nós, um novo EU aparece! Um EU antes adormecido, guardado, surge de debaixo dos móveis, no reflexo dos espelhos que nos encaram, e, como disse uma amiga, “empurrar para debaixo do tapete deixou de ser opção”. É preciso encarar esse EU de frente!

Estamos mais tempo conosco, nos escutando melhor, sem o refúgio das brincadeiras com os amigos e familiares. Mesmo com as alienações on line, estamos “re”conhecendo hábitos, valores, e tanto mais que passavam desapercebidos ou distraídos por nós. Consequentemente, estamos “re”conhecendo as pessoas do nosso convívio, e essas coisas todas incomodam ou surpreendem, distanciam ou aproximam. Abraçar, beijar, tocar hoje tem outro valor. Nossas relações com a casa, familiares, trabalho, com a vida, são “um indo e vindo infinito” de novas percepções. E, como tudo que é novo, dá ansiedade que aperta o peito, um medo que traz a insegurança como consequência. E é isso, hora calmaria, hora ondas altas...as vezes, maremotos!

Então o que muda?

Vejo que é como cada um de nós se posiciona diante desse “mar”, como cada um olha para essas “ondas” que vem e vão n’um “indo e vindo infinito”, o que cada um faz desses momentos e o que aprende com os “caldos”, pois essa sensação de altos e baixos, é comum a todos nós!

Os aforismas do Yoga Sutra de Patanjali (II-16/17), afirmam que o sofrimento que está por vir, pode ser evitado. A causa do que deve ser evitado é a associação entre aquele que percebe, esse EU, e o que é percebido, as “ondas”. Olhar para isso tudo conscientes e sem permitirmos o “indo e vindo” da ansiedade e especulação é o caminho. Compreender e identificar as flutuações da mente, para então podermos prever as “ondas”. Como um surfista experiente.

Colocar o Yoga em prática, é evitar os “caldos” nas “ondas” dos nossos estados mentais. Ter o objetivo de encontrar firmeza em nossas atitudes diante desse “mar”.

Como um surfista que espera a onda certa, a chave é nutrir um estado tranquilo, estável e imutável dentro de nós. Não sejamos puxados em inúmeras direções sem rumo pelas mudanças de “marés” que acontecem em nossa vida diária. Eis o objetivo do Yoga. Devemos descobrir e nos identificar com nosso verdadeiro EU, em vez de enfrentar repetidas vezes os altos e baixos “infinitos”.




 
 
 

1 comentário


Maria Do Carmo Galvão
Maria Do Carmo Galvão
16 de mai. de 2021

Amei o texto!

Gratidão

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