Como ensino Yoga
- generosoyogaeterap

- 24 de out. de 2023
- 5 min de leitura
Desde que entrei para a rotina adulta capitalista, trabalho na área comercial. Trabalhei em publicidade em agências de propaganda e em veículos de comunicação, depois segui para o mundo do showbusiness, depois para o mundo dos esportes aquáticos olímpicos, sempre “vendendo” alguma coisa, uma ideia ou um serviço. Sempre trabalhando com o ego alheio e voltada para “fora”, para entender a necessidade do outro, no tempo do outro e para o outro. Tive um “piripaque” que me ajudou a decidir que dali em diante me daria mais atenção. E sim, seguiria bem egoísta nessa escolha!

E com ele sigo até...sabe-se lá quando! Então em um determinado larguei a vida corrida, cheia de metas, horários e compromissos para dedicar o tempo para mim, meus estudos, e para ensinar yoga.
Apesar de ter feito alguns cursos, algumas formações em Hatha Yoga ao longo dos últimos 23 anos, de trabalhar como instrutora de Yoga há pouco mais de 12 anos, fazem pouco mais de 5anos que me considero professora de Yoga realmente.
Engraçado isso, porque antes eu sabia muito sobre os asanas, os pranayamas, sabia algumas varias “misturas” sobre outros assuntos como chakra, nadis e meditação. Mas, nada que eu sentisse segurança em ensinar, tudo sempre me soava meio ...como dizer...fantasioso, creio que essa é a palavra! Aprendi muito sobre um Yoga um tanto quanto separatista, não tão inclusivo ou acessível para todos. E, muitas vezes me vi repetindo mantras que não tinha a menor ideia do pra que ou o que queriam dizer, mas...eu gostava! Agradeço a todas as experiências que me possibilitaram estar aqui, escrevendo este texto.
Vemos o Yoga ser tratado como “produto” de diversas formas nas redes sociais, diversas mesmo! Como fonte de inspiração, como fonte de superação, como algo que tem a ver com o sistema nervoso, para te libertar da “piração”, para dar coragem, para alcançar superação dos limites, alguns acreditam que é seita, até religião. Misturam com bichinhos de estimação, bebidas, bolas, danças...Enfim, talvez o yoga seja isso tudo, ou em tudo isso a gente encontre Yoga!
Eu ensino como aprendi. Como aprendi a respeitar o yoga e enxergo que é mais do que um compromisso alguns dias da semana, ou apenas como movimentos que a gente faz com o corpo, Yoga é um jeito de levar a vida que pode ser ensinado para qualquer pessoa e que pode ser praticado por qualquer pessoa. É uma maneira de aprender a nos relacionarmos com os outros seres, com o mundo e com a gente mesmo. Uma forma de aprendermos a dividir menos e sermos mais inteiros em nossas vidas!

Enxergo que yoga é uma escolha pessoal, pois cada um tem seu jeito de sentir, de estar consigo, tem suas expectativas, desejos, necessidades, ... dores intimas que precisa aprender a olhar. Esse é o yoga individual que ensino, ajustado pelo aluno e com o aluno! É um dos jeitos que dou aula, que ensino as práticas do Yoga. As práticas físicas são pensadas para o aluno, o que estudar das escrituras, o que olhar nas conversas, é um conjunto que ajuda cada aluno a encontrar o seu próprio caminho no Yoga, encontrar o seu próprio Yoga. O que se encaixa a sua singularidade, ao seu jeito de viver melhor a vida! E, viver melhor, a meu ver, é entender melhor quem a gente é, o que a gente sente, o que a gente pensa, o que a gente faz.
O yoga parte do princípio que o sofrimento é inerente ao ser humano, todos nós sentimos “dor” - dukha, e também oferece um conhecimento milenar testado e re-testado, vivo entre nós há séculos, de como lidar com o sofrimento de uma forma diferente, não só tentando aliviar o que a gente sente, pacificar o que nos anseia, mas buscando uma solução para o que faz a gente sentir essas “dores” de dentro!
Com o yoga podemos aprender métodos que combinam as práticas para acalmar nossas angústias e conflitos, e que nos ensinam a ampliar nossa consciência e nossa sabedoria diante das dificuldades no dia a dia. É uma forma de nos reeducarmos e de transformação dessas “dores” intimas. É um método de auxílio ao processo de maturidade, amadurecimento!
Ouvi em um curso uma vez o palestrante afirmar a diferença de saber e de ter consciência. Ele dizia que saber e quando você entende sobre alguma coisa e se conscientizar é quando aquele conhecimento passa a fazer parte de você. É muito claro para muitos de nós, que a maioria dos problemas que enfrentamos no cotidiano, são resultado dos hábitos que vamos construindo durante a vida, que são consequência de atitudes impulsionadas pela forma como aprendemos a pensar e reagir e que nem sempre é o melhor para nós. Mas, será que temos consciência disso?
Com as práticas do Yoga aprendemos a “detectar” hábitos não muito bons, a pacifica-los antes dos danos e nos conscientizarmos desse aprendizado. Podemos aprender a olhar melhor para as nossas práticas corporais, a aproveitar as técnicas de respiração, aprender a meditação, e podemos incluir a ideia de uma alimentação saudável, um sono revigorante, entre outros aspectos que fazem parte da vida cotidiana.
Yoga é um processo de descoberta e de mudança das nossas realidades mais intimas e internas, um processo de olhar para o que e quem somos de verdade. Aprendemos a olhar para dentro de nós e a notar que somos muito mais do que imaginamos ser. Somos seres espirituais, dotados de uma consciência sem fim e sem limites, que se expressa através do corpo e da mente. É sobre isso, o Yoga nos ensina a identificar essa consciência e a desenvolvê-la, por meio de práticas mais delicadas e profundas, que nos conduzem aos poucos a estados de tranquilidade, equilíbrio e uma satisfação mais profunda.

O Yoga é inclusivo, é um caminho para todos. Não é uma religião, nem filosofia, nem ciência, ou é tudo isso! Eu, enxergo como um caminho prático e vivencial, que pode ser seguido por qualquer pessoa, independentemente da sua fé, cultura ou condição física. O Yoga é uma forma de viver melhor consigo mesmo e com os outros. E, esse Yoga inclusivo que ensino!
O Yoga não só ajuda a aliviar o sofrimento, mas também a entender o que o provoca. Inclusive que nessas questões não existe realmente um caminho único de autoconhecimento pois estamos sempre mudando, e não tem como conhecer realmente algo que muda o tempo todo!
Mas, o professor é alguém que já está nesse caminho e que sabe mais do que você. O professor também tem o seu professor, porque ele também tem suas angustias, conflitos e desafios, como você. O professor pode indicar inclusive outros profissionais, como um terapeuta de ayurveda, um nutricionista, um médico, psicólogo, ...
O professor de yoga não é guru ou um mestre iluminado, realizado, mas um guia, um companheiro de jornada, que segura a lanterna no caminho, é um educador, um terapeuta. No dia a dia, o professor quer saber como você está, o que você sente, o que você pensa. Ele se interessa por você de verdade. Quando você conversa com ele, você pode se abrir sem medo de ser julgado. Esse relacionamento nasce se você quiser, e pode ir mais fundo no yoga, estudando os textos, os conceitos, para ter mais independência no seu processo. Não para chegar a algum lugar, mas para se sentir mais livre dentro de si mesmo. E, esse é o Yoga como aprendi com os professores dentro da Tradição de Sri Krishnamacharya e TKV Desikachar, esse é o Yoga que ensino!




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