O Yoga da singularidade
- generosoyogaeterap

- 17 de out. de 2023
- 4 min de leitura
Um Yoga preservado por Krishnamacharya

Ao passar dos anos, entendi que a procura e o que motiva as pessoas a iniciar no Yoga são as dores físicas, doem as costas, o pescoço,... tem os que não gostam das atividades físicas em academia e buscam espaços "alternativos" para cuidar do corpo. Mas, quando as pessoas me procuram por uma indicação, seja de um aluno, por outro professor, elas comentam sobre suas ansiedades, algumas mulheres sobre os sintomas da menopausa, sobre as inseguranças, são pessoas que vem pelos motivos que não são do corpo.
Mas, a maioria vem pela "paquera" pelo o que é Yoga? E como uma "paquera", o primeiro contato é cheio de expectativas em busca de algo diferente, mas que pacifique os desconfortos instantaneamente, como mágica, sejam eles físicos ou não!
Hoje acho engraçado, porque quando decidi abrir mão dos ganhos de uma carteira de clientes estruturada e já confortavelmente estabelecida para começar do zero e de novo como professora de Yoga, muitos olharam para mim como se eu estivesse levando um hobby muito a serio e eu em contrapartida, estava cheia de grandes expectativas e certezas, como a de uma iniciante!
Aprendi um Yoga que quero ensinar
Uma "paquera" pode acabar se estabelecendo e virando em relacionamento... de troca, de entendimento. Se inicia então algo auspicioso! (YS I - 1 Atha Yoga anusasanam).
Já mencionei, aqui e no podcast "Descobrindo O Coração do Yoga" que quase cai em uma cilada nessa minha busca, e gosto de me referir a ela não como uma marca negativa, mas como de um aprendizado. Como um daqueles atalhos que a gente acredita que pode seguir com segurança e acaba desviando e aprendendo um novo caminho.
Confesso que sempre tive preguiça para ler e entender manual de instrução, acho ótimo quando tem alguém que ensina a mexer e pronto! E, seguindo essa lógica embarquei em uma formação para professores de Yoga para aprender com um "mestre" (auto-intitulado) no fundo buscando um atalho nessa jornada! Alguém que me ensinasse o que eu buscava nos "Googles da vida" e não encontrava. E, fui levada a crer que ele tinha esse atalho. A propaganda é linda, o espaço é legal, as pessoas que como eu embarcaram também são legais,...porém tem um custo alto o tal atalho, o da obediência cega ao "mestre", o da subserviência ao "mestre" que ensinado como se fosse o que acontece nos ashrams na Índia, enfim...um "pavão" muito bonito por fora, com intensões discutíveis por dentro. Levei um "bocado" de tempo para voltar a confiar em outro "mestre".
Mas, eu queria muito seguir e entender esse caminho que descobri na infância. E não desisti. Voltei a estrada que eu conhecia, comecei de novo e em outro curso de formação um professor me apontou outro caminho.
Ainda com minhas "marcas" ditando as regras nessa busca, iniciei os atendimentos individuais com meu professor quando finalizei a formação no Yoga na Tradição de Krishnamacharya, ou seja, uns 4 anos depois! Aprendi então como é imensa a diferença de ter um "mestre" e de ter um professor "para chamar de seu!" Como é desnecessário o papel do pseudo-guru" que mistura balelas, com ensinamentos milenares, e filosofias e ritos religiosos se aproveitando da fé alheia em troca de influência, poder, dizimo e doações dos seus seguidores.
Vi muita gente boa iludida, conheci outras que foram muito prejudicadas por essa pessoa financeira e emocionalmente a ponto de perderem o interesse pelo Yoga. Ouvi histórias como a minha e muitas bem piores. Descobri que não tem nada que se possa fazer por vias legais.
Então, decidi ensinar o que eu aprendo para o máximo de pessoas que eu puder. Que vou compartilhar tudo o que eu conseguir acessar dos ensinamentos resgatados por reais mestres indianos, que deixaram um legado de muito conhecimento, que vou compartilhar do que eu conseguir aprender estudando com um professor comprometido, com a pretensão de ensinar para que mais e mais pessoas o que o conhecimento do Yoga tem a oferecer e mais pessoas possam formular suas dúvidas, entender o que buscam, e não se deixarem levar por qualquer "flautistas de hamelin".

Aprendi que Yoga é relacionamento
Cada um chega com sua própria busca, e vai descobrindo que inicialmente são apenas "obstáculos" mais aparentes e mais fáceis de serem reconhecidos em um primeiro momento.
Aprendi sobre um Yoga que respeita essa singularidade dos que o buscam. O Yoga que abre uma imensa frente para novas oportunidades de como enxergar, rever como lidar com os obstáculos que surgem durante a nossa jornada. Independente de onde queremos chegar!
Aprendi a ensinar outras pessoas a abrirem espaços no dia para a prática física, a criarem espaços na pratica física para observarem a si mesmos, através da própria respiração. E a olharem para a mente que enxerga isso tudo. Aprendi a ensinar a importância das pausas.
Aprendi que o relacionamento professor e aluno vai construindo. De uma "paquera" e muitas expectativas sobre essa jornada intima, o relacionamento vai se construindo. Com ele, o conhecimento.
Aprendi e me reeduco com o Yoga
O Yoga me ensinou sobre a conscientização sobre o estado que todos nós entendemos como o sofrimento e que é inerente ao ser humano, que somos insatisfeitos com a nossa própria existência. Mas, o Yoga aborda de uma forma um pouco diferente e propõe métodos que ao mesmo tempo pacificam nossas essas dores e os dramas que vem junto. O Yoga aponta e ensina caminhos para compreensão e entendimento sobre quem somos.
Aprendi com o professor Jorge Knak sobre o tripé terapêutico do Yoga, um dos métodos para auto reeducação nessa fase da vida e outro sobre o reconhecimento e transformação das nossas realidades mais intimas, mais internas.
O processo individual do yoga ajuda em todos os nossos relacionamentos e de uma forma muito abrangente. Esse é o novo olhar sobre a reeducação da gente com a gente mesmo. Não é apenas como nos relacionamos com os outros, com as coisas, mas com o nosso sono, alimentação, estudos, trabalho, "as pausas" porque tudo impacta internamente.
Em yoga olhamos para os detalhes, aprendemos a atenção as nossas ações nas rotinas do dia a dia e muitas vezes conquistamos alterações rápidas de muito bem-estar para além das praticas das posturas no tapetinho.
E entendemos que não são nessas questões que vamos encontrar de fato o autoconhecimento que buscamos, mas que sim podemos nos reeducar para aprender que estamos buscando no que está em constante mudança.
No próximo post eu falo do que posso ensinar e como.
Quem sabe desperto em você que me lê aqui o interesse em saber um pouco mais!
Até a próxima!




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