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O monstro interno que em mim habita

Atualizado: 29 de ago. de 2021



Baixa temporada, fim das férias...Decido que vou tirar uns dias e viajar para aliviar um pouco o cansaço, o stress dos dias enfurnados da quarentena. Me livrar um pouco do “bolor” do corpo! Pesquiso aqui e ali, consulto ali e acolá, e planejo ir para algum lugar que eu conheça, mas onde a natureza clame bem alto a ponto dos meus pensamentos se calarem um pouco!

Escolho uma praia! Perto. Uma viagem curta! Um cenário de areia, com a infinitude do mar, cheiro de maresia no ar e, mesmo com o friozinho do inverno, poder sentir a sensação do sol na praia. Bom, tudo Ok, praia lá vou eu!

“Grana” separada, pousada escolhida e reservada. A certeza da melhor decisão da vida para o final de semana! Tudo planejado certinho, penso em “pegar” estrada na sexta logo após almoço e assistir ao nascer do sol no sábado de camarote! Plano PERFEITO!

Dois dias antes da minha curta aventura planejada, o dono da pousada reservada, avisa que não abrirá no fim de semana por razões médicas, a chuva volta com cara de que não vai embora tão cedo e a previsão para o fim de semana não é nada favorável. Frustrante! Olho para mim mesma no espelho escuto o “monstro interior” que em mim habita dizendo – “Tá vendo, “quispariu né?! Puxa vida! Isso só acontece comigo! Ah fica aqui, vai?! Melhor não ir mais não!” e o Mau humor desafia o Ânimo para uma queda de braços. E, ainda conta com a torcida desse “monstro interior” que começa a gritar na minha cabeça: - Por que não fez isso? Tá vendo, não dá pra isso nem para aquilo...São sinais “do além” dizendo que não é para ir! Fica que é melhor...E blábláblá, dando força ao Mau humor nesse duelo.

Mas, espera aí, o plano é PERFEITO! Eu quero ir à praia! Quero ver o nascer do sol, descansar da rotina!

Então me sento, respiro algumas vezes e o Ânimo se vê renovado, vence o Mau humor na queda de braços. E o “monstro interior” que em mim habita, se aquieta e coloca o “rabinho entre as pernas”.

Consulto a outra pousada, consigo uma suíte beeeeeeem melhor da que ia ficar! A previsão do tempo na praia que escolhi é estará com o dobro de onde moro! Uhuuuu, praia, lá vou eu. O fim de semana será PERFEITO!

Chegada a sexta, resolvo almoçar fora para agilizar. Como algo rápido, leve, para não pesar na estrada. Me organizo para sair às 13h e chegar no fim de tarde para uma caminhada de reconhecimento na praia!

Mas, alguma coisa do que comi não “bateu” muito certo. Já nos quilômetros iniciais começo a passar mal, e passo mal o caminho inteiro. “-Tá vendo, devia ter ficado em casa!” grita o “monstrinho interno” que começa a estimular as culpas e medos para atrapalhar e incentiva o Mau humor a uma nova ameaça ao Ânimo!

Na quarta ou quinta parada, o Ânimo quase cedendo ao Mal humor, quando levanto a cabeça vejo o pôr do sol na estrada. O “monstro interno” também fica mudo, maravilhado. Tudo é um misto de amarelo, laranja e vermelho! Lindo!


Enfim, quando chego a pousada, sinto o cheiro da maresia e penso, - que comece meu fim de semana PERFEITO, afinal foi só um enjoo! O Ânimo novo em folha arrasa com o Mal Humor que desaparece e meu “monstro interior” sossega!

Sábado, acordo às 6h para ver o nascer do sol, como planejado. Na praia o dia começa com nuvens baixas. Ar frio. Mar mega agitado. Nuvens densas encobrindo o espetáculo de luz que se apresenta entre elas e para elas!

Ali, sentada em frente ao mar, na areia, observando me dei conta de que o planejado nem sempre vai acontecer como minhas expectativas preveem, nem todo imprevisto tem uma solução que depende apenas de mim, ou tem algum motivo misterioso para acontecer ou ainda é algum tipo de castigo divino. É como aquele momento. Simplesmente a vida acontecendo!

Minhas inquietudes, angústias, ansiedades são muito fruto do falso controle que penso ter sobre o que não tem controle. Do medo de perder o controle sobre que penso ter. Num fim de semana qualquer, em uma praia qualquer, a reflexão que ficou foi que de fato não estamos no controle de nada. Mas, podemos exercitar o controle de como nos colocamos diante das dificuldades e obstáculos que se apresentam diante de nós todos os dias.

O duelo entre o Mau humor e o Ânimo sempre existirá. O “monstro interior” habita em cada um de nós com um apelido peculiar. Cabe a nós permitir ou não que a torcida dele nos sabote, nos desanime, nos tire do controle daquilo que podemos aprender a controlar, nossos ímpetos, nossas frustrações, nosso desânimo!

Foi um ótimo fim de semana IMPERFEITO, instável, e muito, muito agradável!

 
 
 

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