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Quantos tipos de Yoga existem?

Parte do Artigo: Corpos do Yoga, mentes do Yoga: como as anatomias indianas fundamentam a aplicação do yoga terapêutico.

pelo Prof. Chase Bossart, Ma Healing - Yoga Foundation - San Francisco - Ca - EUA


Sem pretensão de trazer verdades definitivas, pretensiosamente pergunto, quantos tipos de yoga você conhece ou sabe que existem e quais os melhores tipos para praticar?
Para responder essas, que são perguntas recorrentes, trago parte do artigo do Prof.Chase onde ele faz uma comparação interessante que compartilhando para refletirmos sobre esses questionamentos sob uma nova perspectiva .

O Professor discute a forma como o Yoga foi trazido para o Ocidente neste artigo, principalmente no contexto do Yoga como modalidade terapêutica. Ele ressalta como é importante distinguir entre adaptar um sistema de conhecimento, o Yoga, para contextos específicos, e alterá-lo para que "caiba", e se enquadre, em outro sistema de conhecimento bem diferente, como a medicina convencional ocidental. Para ilustrar essa diferença, o professor demonstra no artigo com três anatomias ancestrais indianas (o modelo pancamaya, o modelo prana vayus e o modelo da anatomia sutil) que são os fundamentos para a aplicação prática do Yoga como terapia (que abordarei mais tarde em outros posts). A prática do Yoga como modalidade terapêutica está baseada em teorias e princípios e não somente em métodos e técnicas.
Do texto trago apenas a curiosa comparação que ele faz para elucidar essa nossa visão ocidental do Yoga.

Violinos não são violinos
O violino é um instrumento popular no sul da Índia tanto quanto é nos Estados Unidos. Entretanto, a maneira como é tocado na tradição da música carnática do sul da Índia é tão diferente da maneira tocada nas tradições musicais das sinfônicas ocidentais, que praticamente não é possível reconhecê-lo como sendo o mesmo instrumento. Mesmo que a estrutura física e as cordas dos violinos sejam iguais nos dois lugares, a sistematização dos sons e a forma de combiná-los ao serem tocados são tão diferentes que o violino não é o mesmo violino.
As teorias e os princípios subjacentes à música sinfônica ocidental e à música carnática indiana são tão diferentes que, mesmo usando técnicas similares em um instrumento em comum, o resultado musical é totalmente diferente. A perspectiva de quem está tocando o violino muda completamente conforme a maneira como ele é tocado.
Então, o que importa é que um violino não é apenas um violino – o que o violino é depende de quem o está tocando e de como é tocado. Ainda que objetos externos (nesse caso o violino) pareçam ter realidades fixas, na verdade o que eles são de fato é amplamente decidido pelo que nós (como percebedores dos objetos) projetamos neles; o que, por sua vez, é amplamente um resultado do nosso próprio treino e experiência.
O mesmo serve ao se considerar a maneira como o Yoga foi trazido da Índia para nossos países e para a aplicação prática do Yoga como terapia. A ideia dos praticantes sobre o que é Yoga e especialmente sobre o que é o organismo humano, a mente, as emoções, etc., tem uma influencia profunda em como o Yoga terapêutico é praticado.
O ser humano também é como o violino.
Culturas diferentes têm diferentes práticas terapêuticas, baseadas em diferentes entendimentos sobre o organismo humano e como ele opera. Consequentemente, apresentam diferentes maneiras de responder à mesma "doença". O que deveria ser feito, quando e como é diferente em diferentes sistemas terapêuticos.
A medicina convencional do Ocidente, o Yoga e o Ayurveda, a medicina chinesa tratam os mesmos sintomas de maneiras dramaticamente diferentes.
Yoga no ocidente
Uma vez que a aplicação do Yoga terapêutico vem se tornando cada vez mais proeminente no Ocidente, devemos ter consciência de como isso está acontecendo.
A aplicação terapêutica do Yoga permanece fiel às suas origens quando adaptada aos contextos culturais do Ocidente? Ou, o que parece mais comum, está sendo modificada em seus fundamentos e recriada devido à familiaridade dos seus praticantes ocidentais com teorias e princípios da medicina do Ocidente?
O Yoga como terapia está sendo assimilado pela medicina, pela psicologia ou pela terapia física ocidentais? Ou ainda está mantendo os elementos essenciais que compõem sua perspectiva terapêutica única?
Em termos musicais, nós poderíamos perguntar: estamos tocando música carnática aqui no ocidente ou estamos apenas introduzindo algumas poucas notas da música carnática em nossas sinfonias? Estamos alegando tocar música carnática indiana quando na verdade tocamos música sinfônica ocidental de uma maneira que imaginamos ser carnática?
Em outras palavras, estamos realmente praticando Yoga terapêutico? Ou estamos apenas introduzindo ferramentas ditas “yóguicas” nos convencionais modelos ocidentais de terapia e chamando isso de “Yoga”?

Comenta comigo o que você acha e se essa comparação te fez pensar de alguma forma.
Até a próxima!



 
 
 

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